Thursday, October 25, 2007

Portas Por Abrir

As portas que deixei atrás de mim ficaram encostadas, as que estão na minha frente não estão fechadas, estão trancadas por laços de estupidez que devassa a inteligência de qualquer nobre iletrado. As teias que as encobrem são demasiado espessas, demasiado entrançadas, demasiado demais para que as possa derrubar.
Observo-as a uma distância de segurança e entendo que a única forma de as abrir é com uma corrente colectiva de boa vontade, de prazer, de as querer ultrapassar, e ao olhar para trás vejo essa força a atravessar as portas que ficaram encostadas.

As portas trancadas nunca serão um problema, são somente mais uma travessia nossa.

Posted by moonlight in 16:24:26 | Permalink | No Comments »

Os esperantes

Waiting Art Print by Thierry Ona

Waiting de Thierry Ona

Sete horas de um qualquer final de tarde de Verão. A batalha entre o dia e noite manifesta-se ao fundo, pela mancha de luminosidade paralela aos olhos que se erguem desse corpo recostado numa cadeira confortável, ordenadamente colocada ao centro de um terraço silencioso.
Lentamente, suavemente, aproximo os meus dedos dos teus e ali os deixo a pairar sobre a tua mão. Permaneces com o olhar fixo nas tuas memórias esperando por um futuro que nunca surgirá. De um outro lado, as minhas memórias parecem não existir. Evaporam-se para fora do meu corpo, qual cigarro a sucumbir por entre os dedos. Sinto o vazio de estar tão perto de nada ser, o conforto de nada querer, a ilusão de tudo poder esquecer.
Somos dois paralelos atravessados por demasiadas linhas tortuosas. Somos a subtração um do outro. Somos o desvio que não tem um término.
Suavemente, lentamente retiro as minhas mãos. Desfaço o percurso percorrido e volto para de onde vinha.

A noite surge vitoriosa.

Rodando ligeiramente o rosto encontras-me na cadeira ao lado da tua e questionas:

- Esperamos pela manhã?

Ao que respondo:

- Esperamos.

Como esperantes somos um só, e só isso esperamos.

 

Posted by moonlight in 00:45:50 | Permalink | No Comments »