Monday, July 30, 2007

reflexão de verão

Como sempre me conheci neste corpo, a opinião que se segue é, justificadamente, arbitrária e pouco rigorosa. Feito o esclarecimento: é preciso que um homem confie muito para usar uma camisa cor de laranja.
Que confie muito em si de modo a evitar os clássicos branco/preto que tão bem imprimem discrição à figura. Ou mesmo os azuis, tão pouco comprometedores. Mas também que confie o suficiente nos outros, de forma a que não haja lugar ao desconforto de ostentar um tom que se torna ruído (e esta palete cromática vai desde o amarelo canário ao vermelho-bordeaux).

Mas também é preciso ser-se mulher para entender o poder afirmativo da camisa laranja. E confiar num homem que a use.

 

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Wednesday, July 25, 2007

Ma Cherie…

Durante muitos anos a proximidade fisica que nos unia tinha uma matriz que nos completava, nas brincadeiras, nos amúos, nas rebeldias, na vontade de te irritar ou de te acarinhar.

Hoje na distância que nos separa, para além do sangue, une-nos o amor que semeamos ao longo das nossas vidas.

Sinto-te perto de mim em cada dia, ignorando todo o mar que nos afasta.

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Tuesday, July 24, 2007

milkshake

Ao longo dos anos, criei o hábito de retornar a alguns filmes. Não por serem excepcionais obras cinematográficas ou por trazerem consigo o estatuto de filme maior, mas por serem peças cuja intemporalidade lhes é imprimida por mim.
Há dias revi o Before Sunrise por acaso, a meio de um zapping de sábado à noite e apaixonei-me como na primeira vez: pelo que de tão improvável, se torna possível e existe. Que é quase tão raro como escrever um poema a partir da palavra “milkshake”.
 
 
daydream delusion, limousine eyelash
oh baby with your preety face
drop a tear in my wineglass
look at those big eyes
see what you mean to me
sweet-cakes and milkshakes
i’m a delusion angel
i’m a fantasy parade
i want you to know what i think
don’t want you to guess anymore
you have no ideia where i came from
we have no ideia where we’re going
lodged in life
like branches in a river
flowing downstream
caught in the current
i carry you
you’ll carry me
that’s how it could be
don’t you know me?
don’t you know me by now?
 
(from Before Sunrise)
 
 
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727

Conduzir um autocarro não deve ser tarefa fácil, mais ainda numa cidade como Lisboa, com tantas ruas estreitas, inclinações e buracos.

Tenho de confessar que não tendo carta de condução admiro a perícia destes homens e mulheres que diariamente me conduzem nas diambulações que faço pela cidade. Contudo, hoje ao dirigir-me ao meu local de trabalho constatei que nem toda as pessoas partilham da minha admiração. Uma “colega” do autocarro 727 indignou-se com a fraca habilidade do condutor e fez questão de ir ter com ele e critica-lo na cara, perguntando-lhe porque razão não colocava determinada mudança e porque optava por acelarar e travar quando ela achava não serem as alturas indicadas. Depois de “despejar” toda a sua fúria sobre o pobre coitado voltou ao seu lugar avisando que não toleraria que a sua viagem continuasse com tais “devaneio”. Estupefacto, tal como os restantes passageiros, o condutor nada disse. Infelizmente saí na paragem seguinte ao acontecimento, mas acho que a viagem até ao Restelo não deve ter sido pacífica.

Parece-me bem que as pessoas manifestem as suas opiniões e os seus desagrados, mas a falta de educação ou a má formação não é de facto a  melhor forma de fazer valer os nossos direitos.

Sejamos um pouco mais positivos.

 

 

 

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Monday, July 23, 2007

diários

 

A música é o Five O, dos James. Poema do Cesariny.

E sete anos depois, as mesmas inquietações.

 

 

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Perfil ou Rabisco

Desenho o teu perfil numa toalha de papel de um restaurante. À minha frente olhas o rabisco e não entendes o que foi reproduzido. Voltas a cara para outro lado na expectativa de que inicie uma explicação detalhada do meu impulso, mas eu limito-me a deixar cair a caneta e a pegar na chávena de café desviando o olhar para alguém sentado na mesa ao lado.

Na distância do olhar percebo quão diferentes são as nossas paixões.

 

 

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Sunday, July 22, 2007

Murdoch tell the truth

 

 alexi murdoch Photo

 

Se são assíduos de séries televisivas americanas é muito provável que já tenham tido  contacto com algumas músicas deste songwriter britânico chamado Alexi Murdoch. A faixa mais popular do seu albúm Time Without Consequence intitula-se Orange Sky. Aqui fica a letra da faixa Song For You.

 

Song For You

Alexi Murdoch

so today, i wrote a song for you
cause a day can get so long
and i know it´s hard to make it through
when you say there´s something wrong

so i´m trying to put it right
cause i want to love you with my heart
all this trying has made me tight
and i don´t know even where to start
maybe that´s a start

cause you know it´s a simple game
that you play filling up your head with rain
and you know you’ve been hiding from your pain
in the way, in the way you say your name

and i see you hiding your face in your hands
flying so you won´t land
you think no one understands
no one understands

so you hunch your shoulders and you shake your head
and your throat is aching but you swear
no one hurts you, nothing could be said
anyway, you´re not here enough to care

and you´re so tired you don´t sleep at night
as your heart is trying to mend
you keep it quiet but you think you might
disappear before the end

and it´s strange you cannot even find
any strength to even try
to find a voice to speak your mind
when you do all you want to do is cry
well maybe you should cry

and i see you hiding your face in your hands
talking bout far away lands
you think no one understands
listen to my hands

and all of this life
moves around you
for all that you climb
you´re standing still
you are moving too
you are moving too

i will move with you

http://www.aleximurdoch.com/

Posted by moonlight in 23:31:06 | Permalink | Comments (5)

New York Movie

 Edward Hooper

New York Movie, 1939

 

No silêncio fico mais próximo do que poderei um dia vir a ser.

No silêncio o sonho não tem limites.

 

 

Posted by moonlight in 22:59:38 | Permalink | No Comments »

in love with (a) choo

 

Posted by bride in 21:38:14 | Permalink | No Comments »

Janette.

Nas raras manhãs em que acordo cedo, um dos pequenos prazeres que me concedo é a visita à padaria do bairro. Como é pouco frequente conseguir fazê-lo, sou surpreendida a cada vez por uma cara nova atrás do balcão (o que me leva a questionar se esta rotatividade das funcionárias se deverá a uma estranha política empresarial do estabelecimento, ou antes à falta de jeito das senhoras).

Assim, fui conhecendo uma galeria de personagens que evoluiu da matrona com o maior buço/barba de Benfica, feito certamente alcançado pelo uso continuado da gillette do devoto esposo, até à brasileira do nordeste cujos atributos físicos indiciavam ser outra a sua fonte principal de rendimento. Durante os últimos dias, e dada a crescente assiduidade destas minhas visitas matutinas, fui conhecendo a mais recente contratação: a mulher biónica.

Duvidei que existisse criatura mais funcional e adesivada ao cumprimento da rotina que aquela. Tudo nela era mecanizado, os movimentos sucediam-se de modo sincrónico e repetido, deslocando-se no pequeno espaço atrás do balcão sempre a três tempos e, vezes houve, em que me pareceu impossível a concreta existência de matéria humana por debaixo da imaculada bata branca. Convicta de que a emoção nunca habitaria aquele corpo e de que lhe estava vedada a experiência da genuinidade do sentimento, eis que me surprendo ao olhar para um dos cantos do balcão.

O título, em letras enormes, salta à vista: “Adeus, Janette”. Na capa, apenas o perfil de uma mulher, enquanto os seus longos cabelos cobrem um fundo verde. E eu que imaginava a mulher biónica sempre imóvel na ausência de pedidos de carcaças, sempre despovoada quando não enchia sacos de pão, percebo que a suspensão da sua vida é preenchida pelos dramas da Janette: uma sobrevivente da II GM, de nome Tanya Pojarska, cuja infância de abusos sexuais se transformou numa adultez onde é rainha de um vasto império de alta costura (disputado agora pelas suas duas filhas, víboras de uma maldade inaudita e que tudo fazem para trapacear a pobre Janette), havendo ainda tempo para uma meia irmã, Lauren, que procura por todos os meios a queda da deusa de leste.

E é com um sorriso que imagino a mulher biónica a deslocar-se neste mundo de luxúria afortunada, de intrigas e de traições anunciadas. Porque se as horas se limitam a cinco metros quadrados de azulejos brancos e cheiro a farinha, até eu gostaria de ser a Janette.

 

Posted by bride in 14:53:28 | Permalink | No Comments »