Sunday, February 28, 2010

Adjectivação da existência

Procuramos todos os dias uma nova palavra que possa adjectivar a existência, mas esquecemo-nos que um adjectivo por si só não basta para percorrer um caminho. Há que estar predisposto a andar sobre vazios.

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Wednesday, April 23, 2008

p&r

É cáustico, e ao mesmo tempo deslumbrante.
É sincero, e ao mesmo tempo impossível.
É simples, e ao mesmo tempo acarreta toda a complexidade do mundo.
É profundo, e ao mesmo tempo dizimado em pequenas partículas.

É nas diferentes vertentes das vossas existências que vos reconheço conteúdo.

Posted by moonlight in 00:28:47 | Permalink | Comments Off

Tuesday, April 22, 2008

ligações em Z

As palavras saltam-nos por entre os dedos, como se tomassem a forma de qualquer coisa que possa um dia vir a existir.

Correm-nos pelas veias sem nos explicar o porquê da sua insistência ao longo dos tempos, o porquê das suas ridículas curvaturas, das suas vãs sensibilidades e lá continuamos nós inebriados por mais uma fórmula que nos cadenciará até mais um espasmo facial.

Tenho em mim perigosas ligações em Z.

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Friday, February 29, 2008

can we start again?


Porque é uma grande música. E porque esta página precisa de um (re)start.


Posted by bride in 21:15:29 | Permalink | Comments Off

Thursday, October 25, 2007

Portas Por Abrir

As portas que deixei atrás de mim ficaram encostadas, as que estão na minha frente não estão fechadas, estão trancadas por laços de estupidez que devassa a inteligência de qualquer nobre iletrado. As teias que as encobrem são demasiado espessas, demasiado entrançadas, demasiado demais para que as possa derrubar.
Observo-as a uma distância de segurança e entendo que a única forma de as abrir é com uma corrente colectiva de boa vontade, de prazer, de as querer ultrapassar, e ao olhar para trás vejo essa força a atravessar as portas que ficaram encostadas.

As portas trancadas nunca serão um problema, são somente mais uma travessia nossa.

Posted by moonlight in 16:24:26 | Permalink | Comments Off

Os esperantes

Waiting Art Print by Thierry Ona

Waiting de Thierry Ona

Sete horas de um qualquer final de tarde de Verão. A batalha entre o dia e noite manifesta-se ao fundo, pela mancha de luminosidade paralela aos olhos que se erguem desse corpo recostado numa cadeira confortável, ordenadamente colocada ao centro de um terraço silencioso.
Lentamente, suavemente, aproximo os meus dedos dos teus e ali os deixo a pairar sobre a tua mão. Permaneces com o olhar fixo nas tuas memórias esperando por um futuro que nunca surgirá. De um outro lado, as minhas memórias parecem não existir. Evaporam-se para fora do meu corpo, qual cigarro a sucumbir por entre os dedos. Sinto o vazio de estar tão perto de nada ser, o conforto de nada querer, a ilusão de tudo poder esquecer.
Somos dois paralelos atravessados por demasiadas linhas tortuosas. Somos a subtração um do outro. Somos o desvio que não tem um término.
Suavemente, lentamente retiro as minhas mãos. Desfaço o percurso percorrido e volto para de onde vinha.

A noite surge vitoriosa.

Rodando ligeiramente o rosto encontras-me na cadeira ao lado da tua e questionas:

- Esperamos pela manhã?

Ao que respondo:

- Esperamos.

Como esperantes somos um só, e só isso esperamos.

 

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Monday, August 6, 2007

paixão. outras definições.

Ficávamos no quarto até anoitecer, ao conseguirmos
situar num mesmo poema o coração e a pele quase podíamos
erguer entre eles uma parede e abrir
depois caminho à água.

Quem pelo seu sorriso então se aventurasse achar-se-ia
de súbito em profundas minas, a memória
das suas mais lonquínquas galerias
extrai aquilo de que é feito o coração.

Ficávamos no quarto, onde por vezes
o mar vinha irromper. É sem dúvida em dias de maior
paixão que pelo coração se chega à pele.
Não há então entre eles nenhum desnível.

(Luís Miguel Nava)

 

Posted by bride in 00:00:12 | Permalink | Comments Off

Monday, July 30, 2007

reflexão de verão

Como sempre me conheci neste corpo, a opinião que se segue é, justificadamente, arbitrária e pouco rigorosa. Feito o esclarecimento: é preciso que um homem confie muito para usar uma camisa cor de laranja.
Que confie muito em si de modo a evitar os clássicos branco/preto que tão bem imprimem discrição à figura. Ou mesmo os azuis, tão pouco comprometedores. Mas também que confie o suficiente nos outros, de forma a que não haja lugar ao desconforto de ostentar um tom que se torna ruído (e esta palete cromática vai desde o amarelo canário ao vermelho-bordeaux).

Mas também é preciso ser-se mulher para entender o poder afirmativo da camisa laranja. E confiar num homem que a use.

 

Posted by bride in 20:45:49 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, July 25, 2007

Ma Cherie…

Durante muitos anos a proximidade fisica que nos unia tinha uma matriz que nos completava, nas brincadeiras, nos amúos, nas rebeldias, na vontade de te irritar ou de te acarinhar.

Hoje na distância que nos separa, para além do sangue, une-nos o amor que semeamos ao longo das nossas vidas.

Sinto-te perto de mim em cada dia, ignorando todo o mar que nos afasta.

Posted by moonlight in 17:58:08 | Permalink | Comments Off

Tuesday, July 24, 2007

milkshake

Ao longo dos anos, criei o hábito de retornar a alguns filmes. Não por serem excepcionais obras cinematográficas ou por trazerem consigo o estatuto de filme maior, mas por serem peças cuja intemporalidade lhes é imprimida por mim.
Há dias revi o Before Sunrise por acaso, a meio de um zapping de sábado à noite e apaixonei-me como na primeira vez: pelo que de tão improvável, se torna possível e existe. Que é quase tão raro como escrever um poema a partir da palavra “milkshake”.
 
 
daydream delusion, limousine eyelash
oh baby with your preety face
drop a tear in my wineglass
look at those big eyes
see what you mean to me
sweet-cakes and milkshakes
i’m a delusion angel
i’m a fantasy parade
i want you to know what i think
don’t want you to guess anymore
you have no ideia where i came from
we have no ideia where we’re going
lodged in life
like branches in a river
flowing downstream
caught in the current
i carry you
you’ll carry me
that’s how it could be
don’t you know me?
don’t you know me by now?
 
(from Before Sunrise)
 
 
Posted by bride in 22:35:01 | Permalink | Comments Off